Sulfato de cálcio granulado é viável?

Sulfato de cálcio granulado é viável?

Fabio Olivieri de Nobile
Doutor e professor de Fertilidade do Solo – Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos (UNIFEB)
fabio.nobile@unifeb.edu.br

A busca por práticas agrícolas sustentáveis e produtivas tem incentivado a utilização de diversas fontes de nutrientes e condicionadores de solo, entre os quais o sulfato de cálcio granulado vem ganhando destaque.

Amplamente conhecido por suas propriedades, como melhoradora do ambiente radicular e fonte de cálcio e enxofre, esse insumo tem atraído a atenção de produtores e pesquisadores, especialmente em áreas de solos ácidos e com baixa disponibilidade de cálcio. Contudo, a viabilidade de sua aplicação ainda é um tema de debate, considerando os custos de produção, a logística de aplicação e os benefícios agronômicos efetivos em diferentes tipos de solos e culturas.

Correção assertiva do solo

O sulfato de cálcio granulado, frequentemente utilizado como condicionador de solo, apresenta benefícios específicos na correção de acidez e na adição de cálcio, diferenciando-se de outras fontes, como calcário dolomítico e calcítico.

Ao contrário do calcário, que fornece apenas cálcio e magnésio, o sulfato de cálcio também oferece enxofre, essencial para o desenvolvimento de proteínas e processos de defesa nas plantas.

A presença desses nutrientes em uma única aplicação facilita o manejo de solos deficientes. Também se pode observar uma melhora na estrutura do solo, promovendo a agregação das partículas do solo, o que resulta em melhor infiltração e retenção de água, além de facilitar a penetração das raízes, especialmente em solos compactados.

O que muda?

Diferente do calcário, que tem ação mais lenta, o sulfato de cálcio granulado é mais rapidamente solubilizado, o que proporciona uma resposta mais imediata à planta. Esse benefício é útil em períodos de crescimento em que as plantas precisam de disponibilidade rápida de cálcio e enxofre.

Em solos ácidos, o alumínio em sua forma trocável é tóxico para muitas plantas. O sulfato de cálcio ajuda a deslocar o alumínio do perfil do solo, promovendo a sua lixiviação para camadas mais profundas, onde é menos prejudicial ao sistema radicular.

Embora não seja um corretivo de acidez direta, como o calcário, o sulfato de cálcio é efetivo na correção de solos alcalinos com problemas de salinidade. Ele auxilia na substituição de sódio por cálcio, melhorando a estrutura do solo e a sua capacidade de drenagem.

Em áreas de cultivo irrigado, onde o uso de calcário pode levar à formação de crostas duras, o sulfato de cálcio age de maneira diferente, mantendo a superfície do solo mais porosa e evitando problemas de compactação superficial.

Na dose certa

As doses de sulfato de cálcio granulado variam conforme o tipo de solo, a cultura e as condições específicas do sistema de cultivo. Em geral, recomenda-se ajustar as doses com base em análises de solo para garantir uma aplicação eficaz e segura.

Para solos arenosos, que tendem a ter baixa retenção de nutrientes e umidade, recomenda-se doses entre 150 e 250 kg/ha, aplicadas com mais frequência para manter a disponibilidade de cálcio e enxofre.

Já para solos argilosos, com maior capacidade de retenção, recomenda-se doses entre 300 e 500 kg/ha, mas requerem monitoramento para evitar excesso de nutrientes. Em solos ácidos, onde há alta saturação de alumínio, o sulfato de cálcio é útil para neutralizar a toxicidade deste elemento. Nessas condições, recomenda-se aplicar de 400 a 600 kg/ha, dependendo da quantidade de alumínio e da perspectiva de lixiviação.

Culturas beneficiadas

Para culturas específicas, como milho e soja, que respondem bem ao cálcio e enxofre, as doses recomendadas variam entre 200 e 300 kg/ha. Já o café e os citros, que se beneficiam de uma correção de acidez prolongada e da adição de enxofre, têm resposta positiva a doses de 300 a 500 kg/ha, aplicadas anual ou bienalmente.

Em cana-de-açúcar, que demanda grandes quantidades de cálcio e enxofre, a aplicação entre 400 e 600 kg/ha é preferível antes do plantio, especialmente em áreas de baixa fertilidade.

Hortaliças como tomate e batata, que apresentam suscetibilidade a deficiências de cálcio, podem ter melhor desempenho com doses de 150 a 250 kg/ha, distribuídas ao longo do ciclo.

Em solos salinos, onde há necessidade de substituir o sódio por cálcio para melhorar a estrutura e a capacidade de drenagem, a dose recomendada de sulfato de cálcio é de 500 a 800 kg/ha, com aplicação em conjunto com práticas de irrigação para facilitar a lixiviação.

Em sistemas de cultivo protegido, como estufas, e para culturas de alto valor, o sulfato de cálcio é aplicado em menores quantidades (50 a 100 kg/ha) em intervalos de 15 a 30 dias, evitando o acúmulo excessivo de sais.

Comece pelo princípio

É fundamental realizar uma análise de solo prévia para ajustar a dose mais adequada a cada situação, evitando desperdícios e desequilíbrios nutricionais. O monitoramento periódico é igualmente importante, principalmente em solos argilosos e compactados, onde a disponibilidade de nutrientes pode variar.

Além disso, o uso de sulfato de cálcio granulado pode ser combinado com outros fertilizantes e condicionadores de solo, otimizando os resultados de acordo com as necessidades da cultura e os objetivos agronômicos. Essas recomendações fornecem uma base para aplicações eficientes e economicamente viáveis, garantindo o melhor aproveitamento do produto em diversos contextos agrícolas.

Fique de olho na granulometria

A granulometria do produto é um fator crucial que afeta tanto sua eficiência agronômica quanto a facilidade de aplicação. Produtos com granulometria fina têm a área de contato com o solo aumentada, facilitando a solubilização dos nutrientes e proporcionando uma resposta mais rápida das plantas.

Essa característica é vantajosa em solos que exigem uma rápida correção de deficiências, como em solos compactados ou com baixa fertilidade em camadas mais profundas, onde a mobilidade do cálcio é limitada.

No entanto, produtos com granulometria muito fina são mais suscetíveis à perda por ação do vento e podem exigir ajustes nos equipamentos para evitar desperdício.

Já as granulometrias mais grosseiras, como de tamanho médio a grande, tendem a ser mais estáveis durante a aplicação, permitindo uma distribuição mais uniforme e facilitando o manejo em áreas extensas.

Esse tipo de material é útil em solos mais compactados ou de difícil manejo, pois a aplicação é mais controlada e requer menor frequência de reabastecimento dos equipamentos. Além disso, em solos com baixa estruturação ou sujeitos à erosão, a granulometria maior reduz o risco de deslocamento e perda do produto, assegurando que os nutrientes sejam disponibilizados onde são necessários.

Critérios a serem considerados

A escolha da granulometria deve considerar as condições específicas do campo e os objetivos de manejo. Em solos arenosos ou em sistemas de irrigação, por exemplo, a granulometria média pode equilibrar eficiência e praticidade, proporcionando liberação gradual dos nutrientes.

Nos casos em que a necessidade de cálcio é imediata, como em áreas de plantio direto com presença de alumínio tóxico, deve-se optar por um produto de granulometria mais fina, desde que se tenha cuidado para evitar perdas durante a aplicação.

Tem-se observado que a aplicação de sulfato de cálcio granulado no campo tem proporcionado resultados positivos, tanto na neutralização da acidez do solo quanto no aumento da produtividade das culturas.

Um dos principais efeitos observados é a redução da toxicidade do alumínio em solos ácidos. O sulfato desloca o alumínio trocável, permitindo que ele seja lixiviado para camadas mais profundas, longe das raízes.

Esse processo torna o solo mais adequado para o desenvolvimento radicular, especialmente naqueles com alto índice de acidez nas camadas subsuperficiais, beneficiando culturas que exploram o perfil em profundidade, como milho, cana-de-açúcar e café.

Máximas produtividades

Com relação à produtividade, os resultados de campo mostram ganhos após a aplicação de sulfato de cálcio granulado. No caso de culturas como soja e milho, o aumento da disponibilidade de cálcio e enxofre – elementos essenciais para a estrutura celular e o metabolismo das plantas – tem levado a um desenvolvimento mais vigoroso, favorecendo a fotossíntese e o crescimento saudável.

Em áreas onde o sulfato de cálcio é aplicado em conjunto com práticas de manejo adequado, os incrementos de produtividade podem chegar a 10 – 15%, dependendo das condições iniciais do solo e do manejo anterior.

Além disso, a melhora na estrutura do solo também contribui para uma maior eficiência do uso da água e dos nutrientes. A aplicação do sulfato de cálcio aumenta a capacidade de agregação do solo, o que melhora a infiltração e a retenção de água, fatores críticos em regiões sujeitas a períodos de seca ou irrigação limitada.

Em culturas perenes, como citros e café, a aplicação regular de sulfato de cálcio ajuda a manter uma estrutura de solo favorável ao longo do tempo, o que se reflete em uma produtividade mais estável e consistente.

Assim, é válido dizer que o sulfato de cálcio granulado é uma opção viável para melhorar a qualidade do solo e elevar a produtividade agrícola, principalmente em solos ácidos e compactados que necessitam de uma correção mais rápida e específica.

Fonte: https://revistacampoenegocios.com.br
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